domingo, 11 de setembro de 2011

"Pra sempre é por um triz" Risomar Fasanaro


Quando Chico Buarque escreveu o lindo verso “pra sempre é por um triz” da canção “Beatriz”
disse tudo. E hoje, 11 de setembro volto a pensar na impermanência de tudo na vida.
Uma palavra maldita mal dita no momento errado pode, e quase sempre abala estruturas e relações que qualquer um consideraria eternas.
Uma observação infeliz, uma frase grosseira, apenas um tom de voz mal colocado, basta isso, e lá se vai o que poderia ser pra sempre.
Volto a pensar nisso hoje, e tento adivinhar os bastidores daqueles dois edifícios. Quantos dos que ali estavam teriam dito ou feito a alguém algo que jamais fariam se soubessem que minutos depois aconteceria aquela tragédia? Se soubessem que não teriam tempo de reparar suas palavras, seus atos?
Uma das lições mais difíceis é viver como se fosse aquele nosso último dia. Não adiar, não deixar para a tarde o que se pode fazer pela manhã.
Adiamos. Adiamos sempre, e assim as horas passam, os dias passam, os meses, os anos, por acreditar que teremos um amanhã, e assim quantas vezes deixamos de falar, de agir, acreditando que outra chance surgirá. Pois é...Muitas vezes aquela é nossa única chance, e quando nos decidimos a recuperar o que perdemos já não há mais tempo.
Recebi ontem, pelo celular, um pensamento que achei valer a pena reproduzi-lo aqui:
“Lembrar que em breve estarei morto é a ferramenta mais importante que já encontrei para me ajudar a tomar grandes decisões. Porque quase tudo- expectativas externas, orgulho, medo de passar vergonha ou falhar- caem diante da morte, deixando apenas o que é importante. Lembrar que você vai morrer é a melhor maneira que eu conheço para evitar a armadilha de pensar que você tem algo a perder. Você já está nu. Não há razão para não seguir o seu coração. ( Steve Jobs).
É isso.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Denúncia : TV não pode denunciar uso de agrotóxicos

http://www.sinpaf.org.br/modules/smartsection/item.php?itemid=518
CNA foge de debate sobre agrotóxicos

Maria Mello

Um episódio estarrecedor marcado pela falta de respeito à democracia e
ao livre debate de ideias provou, mais uma vez, que os ruralistas não
têm como defender o indefensável.

Na tarde desta terça-feira (6/9), um dos representantes da Campanha
contra os Agrotóxicos e Pela Vida no Distrito Federal e integrante do
SINPAF, Vinícius Freitas, participaria da gravação do programa “Meio
ambiente por inteiro”, da TV Justiça, em Brasília, para debater o
problema do aumento do uso dos agrotóxicos no Brasil. Além de
Vinícius, a produção do programa convidou também o integrante da
Confederação da Agricultura e Pecuária no Brasil (CNA) José Mário
Schereiner, para expor a visão da entidade em relação ao tema.

Após serem recebidos pela equipe do programa, os debatedores foram
informados da linha de condução das perguntas. No roteiro da
entrevistadora, a primeira pergunta seria direcionada ao ruralista e
afirmava ser utópica a possibilidade de acabar com o uso de
agrotóxicos no país.

No início da gravação, a jornalista apresentou os participantes e
chamou o VT de um trecho do documentário “O veneno está na mesa”,
recém-lançado pelo cineasta Sílvio Tendler e que ganhou repercussão
nacional, que serviria como pontapé inicial para o debate.

Antes que a transmissão do trecho do filme terminasse, porém, um dos
três assessores de Schereiner que acompanhava a gravação dentro do
estúdio correu até a apresentadora e determinou a interrupção do
andamento do programa. “Não sabíamos que vocês iriam exibir esse
filme, podem parar”, bradou o assistente.

O dirigente ruralista, por sua vez, passou a argumentar de forma
agressiva com a equipe de jornalistas que não continuaria com a
gravação e que não estava ali “para que seus filhos o vissem como
assassino”.

No intuito de garantir o debate, a produção se desculpou e propôs que
a exibição do VT fosse excluída, o que de pronto foi negado por
Schereiner. O grupo deixou o local alegando “insegurança” para
continuar a gravação.

“Lamentamos não ter podido promover um debate saudável sobre um
assunto tão importante para a população. Continuamos à disposição do
programa e da sociedade brasileira para ouvir e argumentar”, afirma
Freitas.

Por fim, o programa não foi gravado, mas a produção do “Meio ambiente
por inteiro” afirmou que pretende convidar novamente o SINPAF para
debater o tema.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

100 anos do General Giap- Sílvio Tendler

O General Vietnamita Giap completou cem anos em 25 de agosto, É o
maior guerreiro do século XX. Professor de história que se tornou
militar para combater os invasores de seu país, derrotou o Japão
(1945), A França (1954) e os Estados Unidos (1975)'
Em entrevista que fiz em 2003 vocês poden vê-lo contando um pouco de
sua história,
Basta acessar "Giap, memórias centenàrias da resistência, no you tube, Sáo
16 minutos que lavam a alma,

Assista aqui
http://youtu.be/Tq8c72PKSC

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Arte e doença Mental




A primeira coisa que quero registrar é que pintura pra mim é puro diletantismo, jamais me considerei pintora. O que levo a serio é a escrita, a pintura é puro desejo de mexer com as cores, com as tintas.e quase sempre uma forma de me fazer feliz.
Agora, analisando à distância no tempo, percebo que minhaa escolha de temas para pintar recai quase sempre em modelos geralmente discriminados: índios, negros, ciganos.
Noto também que durante a doença dos meus pais, minha pintura era sempre em tonalidades de amarelo ocre.
Depois da morte deles minhas telas ficaram mais claras, mais coloridas. Não só isso, ficaram também mais soltas.
Vou colocar aqui fotos dessa telas em minha próxima postagem.Posso intuir o que isso significa, mas não é uma análise psicológica. Isso caberia a um psicólogo ou psiquiatra observar.
Tenho a impressão de que os profissionais de saúde mental obteriam mais sucesso se propiciassem o convívio dos seus pacientes com a arte.
Conheço um psiquiatra que faz isso. Trata-se do meu amigo Dr. Alcides Neves que leva seus pacientes a trabalharem com música. E sua dedicação a esse trabalho é tanta que ele grava o trabalho dos doentes.
Não sei se todos teriam condições de desenvolver um trabalho como esse. Alcides Neves além de ser uma pessoa extremamente sensivel é um grande músico, além de compositor talentoso.
Mas acredito que mesmo não sendo um artista, é possível propiciar aos doentes mentais um tratamento digno, humano, muito melhor que pancadarias e humilhações.
Com a palavra os que concordam ou não...

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

sem título- Risomar Fasanaro


duas xícaras de chá
sobre a mesa
uma está vazia:

-saudade

Pacientes do hospital de Franco da Rocha fogem - Daniel Favero*






Sete pacientes do Hospital de Custódia e Tratamento de Franco da Rocha 1, região metropolitana de São Paulo, fugiram na madrugada de deste sábado após cavarem um buraco. Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP), cinco foram recapturados. Ex-funcionários e militantes de entidades de defesa aos diretos humanos denunciam torturas e abusos sexuais contra os pacientes, que deveriam receber tratamento psicológico no local que possui capacidade para 465 pacientes, mas abriga 526.

A SAP informou que a corregedoria administrativa do sistema prisional vai apurar as circunstâncias da fuga. Sobre as denúncias de maus-tratos, a secretaria só deve se pronunciar no decorrer da semana que vem.

Segundo uma ex-funcionária que não quis se identificar, a fuga é resultado de um regime de "terror" que começou a ser implantado com a chegada da nova diretoria comandada por Luiz Henrique Negrão.

Ao invés de aplicar o tratamento aos pacientes, em um local que abriga presos com problemas mentais, ele teria suprimido medidas recreativas aos detentos ou cuidados especiais que as suas doenças requerem, e promovido uma política de presídio com tortura e isolamento dos internos, que estariam prestes a se rebelar.

A funcionária, que trabalhou por mais de 20 anos no local, afirma que os funcionários que não compactuam com o regime de tortura estariam sendo transferidos para presídios comuns, muito mais violentos do que os hospitais de custódia psiquiátricos. Ela afirma que diversos funcionários, inclusive o diretor, já esperavam pela fuga, mas nada foi feito para impedir.

O psiquiatra Paulo Cesar Sampaio, ex-coordenador de Saúde do Sistema Penitenciário, disse que pediu exoneração do Manicômio Judiciário de Franco da Rocha porque a atual administração, apoiada pela Secretaria Administração Penitenciária de São Paulo (SAP), tem promovido torturas e repressão nessas unidades. Esse ambiente teria motivado a fuga, algo que, segundo ele, não acontecia havia mais de 20 anos.

"Pedi exoneração pela forma como estavam tratando os pacientes. Eu sou integrante do Movimento dos Direitos Humanos, e eles querem repressão, tortura espancamento, e não concordo com isso (...) O sistema prisional de São Paulo não está tratando eles como doentes, mas sim torturando, pressionando, querendo afastar da família e isso criou um clima de tensão". Segundo Sampaio, as mulheres estão sendo trancadas por 20 horas diariamente, além de denúncias de espancamentos e abusos sexuais. "As mulheres estão ameaçando de se rebelar porque estão sendo trancadas por 20 horas".

Ele diz que em Franco da Rocha está sendo aplicado o mesmo tratamento que era aplicado aos pacientes do Hospital de Custódia e Tratamento de Taubaté. "Alguns funcionários não aceitam o tratamento de tortura, então, além de punir os pacientes estão punindo os funcionários que não aceitam a tortura".

*Colaborou Maria Clara Dutra, Especial para o Terra.









sábado, 20 de agosto de 2011

Ah! Gilberto Gil perdoe-me! - Wilma Leal de Lyra









Quando Gilberto Gil aceitou o convite para ser Ministro da Cultura juntei-me ao coro dos descontentes sem procurar saber dos seus planos nem dos motivos para o sim, apenas rejeitei o fato.

Durante os anos em que ficou como titular do ministério os ataques vieram de todo lado e o mais emblemático foi o silêncio dos amigos: poucos lhe deram o abraço de que se precisa nas horas de dificuldade e de solidão.

Então, comecei a entender o nó da jogada: o ministério da Cultura é mero apêndice num corpo que não lhe pertence e tanto faz que exista ou não, portanto Gilberto Gil, essa fruta rara, não passou de laranjada em mesa de Whiskie e champanhe, sorvidos entre sorrisos, cochichos ao pé do ouvido e tapinhas nas costas.

Quando pediu pela primeira vez para sair do cargo recebeu a solidariedade política do Presidente, quem sabe tenha entendido como apoio e ficou. Mas a gritaria dos afoitos pelo cargo aumentou o que talvez o tenha feito sentir que estava na hora de limpar as gavetas, levando-o a fazer o segundo pedido para sair que foi ladinamente aceito...

Gil saiu do ministério da forma elegante como entrou, não disse nada e foi para junto da sua Flora buscar um lugar tranqüilo aonde pudesse cuidar da sua paz. Ficou como os pássaros na muda: não piou.

O documentário a que assisti meio por acaso, mesmo sabendo que não existem acasos, me fez parar em frente à TV bem no momento em que o via chegando em Ituaçu- BA , onde passou boa parte da sua infância e um pedaço da juventude. Era um cenário parecido ao do distante Guaporé onde nasci que ficaria conhecido nos versos do belo reagge Vamos Fugir, que compôs.

Meu coração chorou de saudade e de vergonha.

De saudade porque só num papo entre negros é possível entender certos sinais de uma linguagem cifrada, repleta de mungangos, pantins e patifumês

Possivelmente essa afirmação seja entendida pelos eternos contestadores do nada para coisa nenhuma, como um pensamento racista ao inverso: a de que seja preciso ter uma porcentagem de negritude, para entrar em roda de samba.

Não me importa, no momento o que conta é que Gilberto Gil com toda a sua majestade aceite o meu pedido de perdão e me ofereça um lugarzinho na roda de samba onde eu possa dançar toda a negritude escondida durante tantos anos dentro de mim acompanhada pelos irmãos planetários de todas as cores, sempre chamados por ele em suas músicas.

Quem sabe as lágrimas de vergonha por ter deixado tão longe o dendê, o samborocô, o batuque, o mingau de banana e tantas delícias afro-brasileiras se transformem em chuva que regará a sementeira do CONHECIMENTO tão necessário a um povo que só precisa de uma coisa: saber da sua história e do orgulho de ter orgulho dela.