segunda-feira, 2 de abril de 2012

3 Poemas de Antonio Belo




SER PROFESSOR
“se não fosse Imperador, gostaria
de ser professor, pois não há função
mais nobre que a de dirigir as inteligências
juvenis e preparar os homens do futuro”
D. Pedro II


Ser professor nesta vida
Não é profissão de festa:
Diários, papéis, planejamento
É tudo que a gente detesta

Mas,
Ensinar a viver
“Sem rodeios, sem aresta”
Não é fácil de fazer!
É o prazer q’ inda nos resta...




O Fim do Mundo - João Cabral de Mello Netto
No fim do mundo melancólico
os homens lêem jornais.
Homens indiferentes a comer laranjas
que ardem como o sol.

Me deram uma maçã para lembrar
a morte. Sei que cidades telegrafam
pedindo querosene. O véu que olhei voar
caiu no deserto.

O poema final ninguém escreverá
desse mundo particular de doze horas.
Em vez de juízo final a mim me preocupa
O sonho final.




O Ciclo do Tempo Antonio Belo

Como é bom ter a idade do tempo!
Tempo que passa
Mas não flui...
Tempo que só argumenta
Mas não conclui...

Eu sou como o tempo
Que nunca passou
O Passado e o Presente
Que o Futuro deixou
Ah, quem me dera voltar!
A ser o que sou...
07.07.2011
23:30h



Juizo Final

Não precisamos mais temer
O fogo do inferno
Todos vão queimar
Por conta do aquecimento global
Puta, juiz e advogados
Esses, principalmente
aluno e professor
Padre, comerciante
Pastor e delinquente,
Você e o promotor
Pois o homem criado
À imagem e semelhança
Do seu criador,
Com a sua "inteligência"
O juizo final
Antecipou
**

domingo, 19 de fevereiro de 2012

O Trem e o Tempo- Risomar Fasanaro

O TREM E O TEMPO - Risomar Fasanaro
(aniversário de 50 anos de Osasco)






o trem parou na estação
era maio
o frio gelava meus passos
e a garoa desenhava
uma paisagem sem contornos
Recife se perdera pra sempre
xerém, cajá, araçá
eram apenas lembranças
cristalizada saudade
do que não voltará jamais

Osasco
pelas ruas caminhei
buscando tua alma
procurei-a na poeira
nos rastros dos romeiros
da velha estrada de Itu


busquei
no Glamour da João Batista
o sarong de Doroty Lamour
os passos de Gene Kelly
o sorriso de Ava Gardner
mas eles ficaram em Recife

só encontro aqui
jacó do amendoim
À porta do cinema...
Quem sabe venha da Itália
Quem sabe lá do Japão
Por que não lá da armênia
Ou dos cravos quem sabe venha
Esse amor à revolução?

na Antonio Agu vou em busca
do voo da Asa Branca
na voz de Gonzaga, o Luís
mas apenas o silêncio
acompanha essa saudade

paramos nas Lojas Sis
onde minha mãe comprou
o 1° fogão a gás
continuo caminhando
e na igreja matriz
reencontro santo Antônio
que é de minha devoção

missa, comício, quermesse
domingos no Estoril
reuniões secretas
tecem a emancipação
que burburinho é esse?
São cédulas que me entregam

me falam do SIM e do Não
agora somos cidade
agora temos prefeito
depois...
tempo de intempérie
explode dentro do peito
paixão pela liberdade
paixão que não tem mais jeito

fábricas param
baixa a repressão
tanques de guerra invadem
o centro da cidade
tempo de armadilha

tempo de barreto, lamarca, espinosa
tempo de marília
tempo de miranda, albertino, roque
tempo de dilema e de iracema
tempo de aninha,miranda, ibrahim
tempo ruim

tempo de tortura
de mortes, exílio

e o silêncio pairou sobre a cidade

de repente
novamente ela se agita
as canções invadem as ruas

é tempo de festival
afrânio, celsinho, dudu
rubens , ricardo, chu
homero, césar, varinha,
Paula, pálida pequena
No asteroide X
Embaladeira
Fim de Reza

Nas ruas o cristo negro
É o teatro expressão
reuniões, comícios, passeatas
anistia, diretas...
caminho por essas ruas
cadê o glamour?
a igreja
o Estoril?
dinamitaram as paineiras
que um dia vestiram de rosa
o tietê que morreu

o tempo devorou tudo
o glamour , o estoril, a farmácia do seu Vasco
papelaria do galepe
o tempo também levou
a febre das greves
as quermesses, os festivais
a euforia das diretas
o tempo também levou
o trem da vida passou
carregando
meus amores
meu soluço
minha dor
e esta saudade infinda
desse tempo que passou.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Retorno a Belém do Pará - Risomar Fasanaro -Fotos: Renato Otílio e Risomar


Estou de volta a Belém. Cidade que elegi como a número um do país. E antes que me censurem, quero dizer que sei que ela tem problemas. Mas as cidades são como as pessoas. Algumas nos provocam amor à primeira vista, outras só percebemos que amamos com o passar do tempo, há ainda aquelas que serão amadas por toda a vida. Pessoas e cidades existem que mesmo tendo defeitos, são amadas por nós. Não fosse assim, e o que seria de nossa vida? Só conviveríamos com seres perfeitos? Seria uma chatice viver no céu em vida.
Ainda que digam que o amor é cego, eu acho que mesmo vendo os defeitos do objeto amado não deixamos de amá-lo. O resto é fingimento, é falsidade, é falta de firmeza de sentimentos.
E aqui estou eu a filosofar, em vez de falar daquela cidade linda que é Belém. Dessa vez tive a felicidade de contar com a presença de dois grandes cicerones: meus primos Renato Otílio e Claudia Fonseca.

Já na primeira noite eles nos levam para tomar um tacacá delicioso e que se revela pra mim como algo conhecido, embora seja a primeira vez que tenha oportunidade de experimentar. A primeira vez que ali estive, fui através de agência e nada pude usufruir do que faz parte da vida do povo paraense.
Minha alma sentia necessidade disso: emendar os laços familiares. Sempre convivi mais com os parentes de meu pai, do Rio Grande do Norte, faltava o que é meu e que vem dessa região do norte do país. Faltava desencavar as origens desse lado indígena que sempre mexeu tanto comigo.
Andar pela cidade das mangueiras, das docas do cais, com seus sorvetes de inúmeros sabores: castanha do Pará, açaí, cupuaçu, e tantos e tantos outros. Faltava ver de perto essa Belém, debruçar-me na amurada para ver as águas da baía do Guajará , ir ao Mercado de Ver-o-Peso, ver suas inúmeras vendedoras cantando os poderes miraculosos de suas ervas para atrair sorte, dinheiro, saúde e um amor verdadeiro.

São óleos, elixir, pós e pomadas que, segundo elas curam de frieira a câncer...que promovem desde a vinda de um namorado, à cura da dor pela perda do grande amor de nossa vida. Algo que só em “Cem Anos de Solidão” de Gabriel G. Marques é possível encontrar.
Percorremos, minha irmã e eu, aquele mercado onde a vida palpita em cada palmo de chão, e fotografo tudo: mulheres descascando castanhas do Pará, de caju, homens produzindo tucupi, extraindo o suco do cupuaçu.


Meu peito só falta explodir de tanta felicidade por estar ali em Belém do açaí, da maniçoba, do bolo de macaxeira, da dourada com açaí saboreada ali no balcão do Ver-o-Peso, junto com aquele povo lindo, com traços indígenas. Conviver com os que têm por tarefa descascar castanhas do Pará, extrair o suco do açaí, preparar o molho de tucupi.

Na saída, encontramos alguns neo-hippies vendendo artesanato. Enfim algo novo em suas bijuterias, trabalhos que não encontrei em nenhuma outra cidade em que já estive. Minha alma cigana sente vontade de comprar tudo, e tento conter esse nosso lado consumista.
Renato nos levou a Icoaraci, bairro de Belém que antes foi balneário, e junto com sua mulher, Zezé, e sua mãe, Ivone , temos a oportunidade de ver um índio de perto , tocando flauta .
No outro final de semana tomamos banho na praia de Mosqueiro, emoção que só havia sentido antes na ilha do Marajó havia oito anos. Para minha irmã era a primeira vez que entrava em águas doces.
Acredito que conhecer um pouco de uma cidade é participar do dia a dia, e que aqueles que viajam com empresas de turismo, saem sem conhecer quase nada da vida das pessoas dos lugares que visitam. Só conseguimos isso graças aos nossos familiares.

No último sábado em que lá ficamos, minha prima Cláudia nos levou ao bosque Rodrigues Alves, e novas emoções ali vivemos. Antes de entrar, peço licença aos deuses da floresta para penetrar em seu reino, para tocar de leve os troncos nodosos daquelas árvores centenárias, algumas espécies que jamais havíamos visto, imaginar que por entre as folhagens há de haver o Saci Pererê, a Curupira, quem sabe a Matinta perê, que um pouco de fantasia não faz mal a ninguém.
Alguns quiosques oferecem comidas típicas, e Cláudia nos sugere experimentar maniçoba. E aquela como todas as outras que comi me pareceu tão familiar, como se tivesse feito parte de minha vida inteira. Mistério que não se explica, pertence ao imponderável.
Belém aonde fui juntar os fios de minha história, conhecer as raízes do meu povo do lado materno. Esse chamado que há anos me acompanha, que vem da Amazônia, e que sinto dentro de mim como uma teia rompida. Algo que me falta, e que, quem sabe, um dia venha a reconstituir.
Belém onde na primeira noite em que chegamos Renato Otílio nos levou para tomar tacacá. E cada prato que eu saboreava, era como se já conhecesse, houvesse apenas uma retomada. E foi maravilhoso conviver com minha família do lado materno, foi maravilhoso conhecer o dia a dia do povo paraense. Adorei meus primos e o que mais trouxe de lá foi a saudade daquela terra e daquela família maravilhosa.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Guarani-Kaiowá à sombra da morte Paulo Roberto da Silva ( texto e fotos)








Um dos maiores povos indígenas do Brasil está sendo dizimado na frente dos nossos olhos, sem que ninguém consiga impedir. Ao longo dos anos foram atacados em todos os aspectos, seja pela expansão agrícola de empresas de capital externo, ou por sojeiros e pecuaristas sem
coração, que enxergam a terra como um grande banco onde podem sacar suas riquezas a hora que quiserem, sem nenhuma contrapartida social; pelo contrário, eles derrubam as matas e as florestas aceleradamente, deixando atrás de si morte e destruição.

Um exemplo disto foi o que aconteceu recentemente com um grupo Kaiowá no Mato Grosso do Sul. Após uma retomada da terra, no município de Amambai, 40 homens encapuzados entraram na aldeia e mataram o cacique Nísio Gomes, e segundo relatos dos índios, três crianças desapareceram, deixando o Acampamento Guaiviry em desespero.

Os quatros primeiros dias foram de muita privação disse-me o filho do Nísio, para não chamar a atenção dos fazendeiros só comíamos milhos e não acendíamos o fogo para não denunciar nossa presença. E agora, tem comida? pergunto ao Genito, ele me responde que o grupo está padecendo de tudo, sobrevivendo apenas de tilápias, algumas raízes, e um pouquinho de arroz que ainda resta.








Eles passam o dia na mata dando entrevistas a jornais e a canais de TV de vários lugares, pois o fato tornou-se conhecido em todo mundo, devido à barbaridade dos assassinos.

Sensibilizado com esta situação, resolvi fazer uma visita solidária aos kaiowá e para não chegar de mãos vazias comecei a fazer uma campanha para levar leite para as crianças, e assim amenizar um pouco a situação de fome existente na aldeia. Logo no início da campanha, me deparei com um primeiro problema no Face book quando um intelectual de carteirinha me criticou por levar leite em pó e assim descaracterizar a cultura dos kaiowá. Como percebi que ele conhece a questão indígena apenas de literatura que idealiza o índio como puro e intocável, resolvi não dar trela para suas afirmações e fui em frente na campanha do leite.

Em pouco tempo consegui 177 sacos de leite de 400 g , que foram acomodados em duas malas gigantes totalmente lotadas e pesadas. Recebi ajuda de instituições e amigos, em sua maioria religiosos da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil, mas tivemos uma ação macroecumênica que uniu pessoas de boa vontade para ajudar na minha viagem.

Eu tinha comigo uma literatura Bíblica que estava em minha casa, um livrinho infantil da SBB (Sociedade Bíblica do Brasil) e alguns exemplares do Novo Testamento que resolvi levar também. Este foi o segundo ponto de conflito, levar a Bíblia para os índios que já foram massacrados por missionários do passado? Não se lembram da cruz e da espada? Da morte da cultura imposta por um deus branco e ocidental? Sabe, né? aqueles discursos já bem batidos pelos historiadores, antropólogos e sociólogos e artistas também...Rs. Como eu sei que a bíblia é uma ferramenta perigosa e pode tanto libertar como escravizar, dependendo de quem a maneja, resolvi arriscar, pois afinal quem conhece o movimento profético de Amós, Miquéias e Isaías, sabe que eles foram homens totalmente comprometidos com as causas sociais dos mais fracos e oprimidos, e que Javé ergue do pó o desvalido e do monturo o necessitado, e dá pão ao que tem fome e viu a opressão dos ricos sobre os pobres.

Lembrei do Deus que Frei Beto, Pedro Casaldáliga, Dom Helder, Dietrich Bonhoeffer, Luther King e Jaime Wright acreditam, e resolvi levar o pão da alma para meus irmãos kaiowá. É bom lembrar que foram dois religiosos que fizeram todo o processo do “Brasil: Nunca Mais”, patrocinado pelo CMI, que há pouco tempo fez a repatriação de toda documentação e a devolveu ao Brasil, através do Rev. Olav Tveit da Noruega.







Voltando à viagem: vi que somente uma força muito grande me fez chegar à aldeia. Há poucos metros da minha casa, a primeira mala deu sinal de que iria me deixar na mão, as rodinhas quebraram e o jeito foi pedir socorro a Risomar que veio para me ajudar a levar até o trem de Osasco na estação Presidente Altino. Subi no elevador e a Riso dando marcha a ré, bate no poste da estação, me deixando com a impressão de que coisas piores iriam acontecer. E aconteceram logo mais na frente, quando desci errado na estação da Lapa e um jovem tentando me ajudar a tirar a mala do trem, arrasta-a entre o trem e a plataforma e a haste que segura a mala se desprende. Voltando a pegar o outro trem desço na Barra Funda e não conseguindo carregar as duas ao mesmo tempo deixo uma perto da catraca e desço para o local da saída do ônibus que me levaria a Guaíra(PR). Volto para apanhar a outra que no trajeto quebra a segunda haste, e daí levo uma mala sem alça.

Finalmente embarco e tomo todo cuidado para o cobrador não pegar nas malas, eu mesmo as colocava no bagageiro, com medo de pagar excesso de peso. Chego a Guaíra e apanho outro ônibus até Mundo Novo ou Novo Mundo e depois para Amambai. Me instalo em um hotel junto da rodoviária e aguardo o dia amanhecer para levar as malas para a aldeia. Tive a ideia de pedir ajuda a um pastor da cidade, disse-lhe que compraria a gasolina e ele me levaria até a aldeia, ele pediu desculpas e disse que cinco fazendeiros fazem parte da sua Igreja, e que politicamente era inviável ele me servir. Os índios são discriminados nas cidades do MS e são vistos como mendigos, vagabundos e invasores de terras.



Na manhã seguinte embarco em um ônibus com destino a Ponta Porã e desço na entrada do Guaiviry. Por sorte havia três rapazes indígenas e uma moça da aldeia no ônibus e levaram as malas até a aldeia, vi que eles deixaram a mala cair várias vezes no trajeto. Que bonito foi ver sair de dentro das matas homens com armas e instrumentos musicais para meu encontro. As mulheres e crianças começaram a dançar e a cantar e logo eu estava totalmente à vontade.
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segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Vento do amanhecer em Macambira- Antonio Belo

A primeira vez que li "Vento do Amanhecer em Macambira", foi em 1967. Naquela ocasião, tal como agora, fiz uma leitura contínua e li todo o livro. Não é muita coisa em termos de volume: oitenta páginas de uma narrativa densa e fluente que prende o leitor do início ao fim, não deixando margem para interrupções. Eu, nordestino, sertanejo, senti-me totalmente identificado com o personagem: tornei-me engenheiro e decidi que se tivesse uma filha ela se chamaria Lívia; desejos esses, que consegui realizar. Somente para efeito de aferição de tempo; na leitura de hoje, consumi apenas o conteúdo de duas latas de cerveja, sem ir ao banheiro uma única vez...
O universo onírico do livro retrata um nordeste (sertão) que já não existe mais, coisa que o meu amigo e poeta Alberto Oliveira, com muita propriedade, já falou; mas que pode ser reencontrado, por exemplo, na poesia do Zé Marcolino ou em Jessier Quirino; esse, em tempos atuais.
É claro que, só quem viveu no nordeste pode sentir a densidade narrativa do autor: dá pra sentir o cheiro das velas nas igrejas, bem como o cheiro do mato após a primeira chuva, ou o da poeira na ausência dela.
Isso é ser saudosista? Pode ser...mas, o que vem a ser "saudade"?
Em torno dessa palavra é que se desenvolve toda a magia do livro: O personagem teve um amor na adolescência, cuja lembrança insiste, teimosamente, em voltar; num crescente que implicava em questionar sua própria opção de vida. O velho dilema: " o que sou,o que fiz, o que serei?". "por que é que eu também não fui feliz?" O destino não quis? Ou sou o resultado do que eu próprio escolhi?
A saudade é algo que não se pode traduzir. Não existe sequer no dicionário português (de Portugal). Seria a saudade um sentimento exclusivamente dos brasileiros? Por que será? Um dos momentos mais intrigantes do livro é quando aquele bêbado diz: "Estive pensando no que me disse. Sobre aquela história da gente sentir saudade”... (reticências minhas).
Mas, como definir saudade? Lembrança, somente, não satisfaz. Pois, como disse o poeta Pinto do Monteiro: "Saudade de quem está perto, não é saudade, é lembrança; saudade só é saudade quando morre a esperança".
Basicamente, a lembrança é tudo que envolve um passado, vivido ou não, que a gente recorda e que pode envolver pessoas, tempos, lugares; coisas boas ou ruins, coisas daqui e dali.
A saudade, por outro lado, é o sentimento da tua falta; agora, aqui!
Leia o livro e sinta o que quero dizer.

domingo, 27 de novembro de 2011


“Vento do Amanhecer em Macambira”

O que mais fica na gente
é a sensação das coisas
inacabadas
(risomar)
Enquanto ouço as “Bachianas” de Villa Lobos releio “Vento do amanhecer em Macambira” de José Condé, presente de meu amigo Antonio Belo. São apenas oitenta páginas: um tesouro.
Ouvir música instrumental enquanto leio ou escrevo é um hábito antigo, e não poderia escolher trilha sonora mais adequada. Não sei por quê. Não conseguiria explicar.
Nunca havia lido nada do Condé e a primeira sensação é de deslumbramento. Nenhuma palavra a mais, nenhuma palavra a menos neste romance denso, em que dois polos se opõem: o passado e o presente, a cidade e o sertão, o que se teve e se perdeu.
Um homem vai em busca de um grande amor que ficou no passado, mas não consegue resgatar nem a paisagem, nem a mulher, e na verdade nem ele mesmo, que hoje é outra pessoa, e tudo que pertencia àquele mundo que ele busca está morto.
Na pequena vila um bando de cangaceiros ameaça a calma da cidade, assim como as lembranças ameaçam a vida do engenheiro. Seria ele a mesma pessoa se reencontrasse Lívia?
Ou seriam os cangaceiros uma metáfora do tempo, esse senhor que tudo devora?
Constatamos neste belíssimo romance a força da imaginação de uma pessoa que ainda guarda lembranças de alguém, e que por isso é capaz de trilhar o tênue fio que separa a lucidez da loucura e materializar o ser amado.
Lívia no romance simboliza aquele sonho inacabado que se perdeu ao longo da existência de muitos de nós, e que a vida inteira iremos buscar em um rosto, um jeito de sorrir, o modo de olhar. Busca inútil. A imaginação preenche as lembranças do que, na verdade, é irrecuperável.

E como tão bem disse Bandeira: “a vida inteira que poderia ter sido e que não foi”. Ou como diria Drummond: Lívia “é apenas um retrato na parede”.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Belo, BELO é tecer palavras, é fazer poesia...Risomar Fasanaro

20 de novembro de 2011




Algumas vezes o destino brinca de esconde-esconde com a gente. Alguém nos fala sobre uma pessoa e você não se liga, não dá a mínima importância, não procura conhecê-la, nem sequer faz perguntas sobre ela.
Os anos passam, e um dia, inesperadamente você conhece a pessoa, assim, sem perguntar, sem procurar...Alguém chega perto de você e diz: este é fulano, irmão de fulana...
E você sente o puxão de orelha do Destino colocando diante de você aquela pessoa que será tão especial na sua vida. E você vai descobrir quanto perdeu por não ter conhecido antes quem tem tanto a ver com você.
Descobre que ela ama os índios tanto (ou maquis ) do que você, que se preocupa com os desfavorecidos, que se interessa pelos mesmos assuntos, e que tem aquela espontaneidade, aquele bom humor que você tanto admira, e que de brinde traz até você outras pessoas, e neste caso que estou contando, que é pessoal, o Destino me trouxe um amigo que parece que conheço há cem anos, e de quebra dois poetas.
Como não sou egoísta, divido com vocês os poemas dos dois irmãos, Antonio e Joaquim,e futuramente escreverei sobre meu novo Amigo, Paulo Roberto.
ATENÇÃO: Atendi hoje o desejo de vários leitores que me escreveram querendo daber quem era esse Poeta que gosta de João Cabral e escreve tão bem.








Queria mostrar que não só ele é artista na família, mas que há também JOAQUIM BELO, que vai surpreender vocês, tem PAULO ROBERTO, também poeta e INEZ OLUNDÉ,artista plástica.FUI TRAÍDA PELO ESPAÇO RESTRITO, NÃO PUDE POSTAR A FOTO NEM OS TEXTOS DO jOAQUIM, QUE FICAM PARA A PRÓXIMA SEMANA, talvez por incompetência minha em lidar com a diagramação do Blog. Sim, falta dizer que, modéstia à parte, todos são pernambucanos...rs
Antônio Belo da Silva (na prática, sempre dispensa a acento), nasceu em Custódia, Pernambuco, em 09 de julho de 1948; porém é registrado como nascido em Sertânia, cidade de sua mãe e onde viveu os melhores anos de sua vida. É filho de Augusto Belo da Silva e Julieta Januária da Silva. É o quarto de dez irmãos, dos quais, nove continuam vivos. Viveu até os dezenove anos no interior do sertão de Pernambuco, tendo-se mudado para Recife em início de 1968, para fazer o terceiro ano científico. Cursou engenharia civil na Universidade Católica de Pernambuco (1970-1975) e trabalhou na profissão até 1998, quando se aposentou. No entanto, ainda trabalha, sendo perito criminal e professor do ensino médio (ambos através de concurso público) no estado do Tocantins, onde reside desde 1991. A poesia entrou na sua pauta por acaso. Apesar de gostar de poesia, nunca pensou em escrever, o que somente veio a ocorrer depois dos 30 anos, mesmo assim, esporadicamente. Além de literatura, gosta e admira pintura e música, embora não tenha o dom para a prática dessas artes. Escreve crônicas, poesias e está "ensaiando" escrever uma peça teatral há uns doze anos e nunca tem tempo de concluí-la. Está no terceiro relacionamento conjugal e tem cinco filhos "espalhados" por esses relacionamentos afora... A mudança para o Tocantins deu-se em virtude de trabalho como engenheiro rodoviário, pois o estado estava sendo criado e as estradas eram precárias.

Além de engenharia civil, fez uma Complementação Pedagógia em, Licenciatura em Química (2001/2002), pela Universidade do Tocantins - Unitins e uma Especialização em Metodologia do Ensino Superior - Unitins - 2007/2008, em Palmas-TO.

A mudança para Palmas deu-se por motivo de transferência na função de Perito Criminal, em virtude da qualificação como engenheiro, para a Seção de Engenharia Legal e Meio Ambiente, em virtude da carência de profissionais engenheiros no quadro de peritos do Instituto de Criminalística do estado do Tocantins, pois o concurso dá prioridade da formados em Direito, mesmo em detrimento à qualidade dos serviços periciais. Tenho dito!!! (olha a concordância hein!!!, o texto está na 3ª pessoa!!!). Mas, “Tem dito” não tem a mesma força...







A linguagem do olhar

A linguagem do olhar
Não é coisa desse mundo
Pode nos levar às estrelas
Ou ao abismo profundo.

Não é um idioma
Nem um “fato consumado”
Mas quem lê nas “entrelinhas”
Antecipa o resultado.

O olhar, é o espelho da alma...
Representa aquilo que desejamos fazer
Mas não ousamos dizer...

A magia do olhar
Não está em decidir,
Mas, sobretudo, em sonhar.

03.08.07
00:03h