Os únicos lugares que ainda não foram colonizados são as ruas (Boaventura de Sousa Santos)
Uma sensação emocionante tomou conta das ruas do Brasil nesses últimos dias reacendendo a velha máxima que diz: ser jovem e não ser revolucionário é uma contradição biológica. O vinho novo sempre vem arrebentando os odres velhos e o remendo novo detonando a velha calça azul e desbotada, já dizia Jesus. Não quero chover no molhado analisando a postura mutante e reacionária da grande mídia, que como um camaleão, assumia a forma ambiental que lhe era favorável, destacando mais os pontos negativos do que os verdadeiros anseios do povo por um Brasil mais justo e fraterno. Incutindo o medo como um instrumento de paralisação.
Chamou-me a atenção um recado de uma jovem cristã que foi a uma das grandes marchas no Largo do Batata e me segredou: pastor eu fui escondido para não levar bronca. Bronca dos pais ou bronca dos pastores? Fiquei feliz pela sua coragem de sair das quatro paredes da Igreja e gritar nas ruas que o povo acordou em uníssono com milhares de outros jovens.
Os “vândalos” de ontem são os heróis de amanhã, alguns até com feriado em homenagem ao seu nome, quem diria que a Casa Branca teria um presidente negro? Foi necessário uma negra insubordinada se recusar a levantar-se da cadeira para dar lugar a um branco racista. Rosa Parks deu a deixa para Martin Luther King “sonhar” com um mundo sem discriminação e sua Igreja antenada com o Deus da libertação, marchou sobre Washington no meio da multidão de 250 mil pessoas em uma época que não tinha Facebook, Twitter e outras redes sociais de grande velocidade de mobilização.
Fiquei me questionando por que as Igrejas colocam tantas pessoas nas ruas na Marcha para Jesus, como se Jesus estivesse necessitando de apoio, em perigo, precisando de Ibope, e numa marcha pela vida, pelos direitos e pela justiça quase que não se enxerga a Igreja, a não ser algumas pessoas que por conta própria tomam a decisão de sair para colocar sua fé em ação? Graças a Deus que o Espírito Santo sopra fora dos arraiais eclesiásticos, comprovando as palavras de Jesus: Se os meus discípulos se calarem, até as pedras clamarão!(Lc. 19.40).
Termino bebendo em Isaías que soube perceber o poder de manipulação dos ideólogos do seu tempo ao dizer: Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem chamam mal, que fazem do amargo doce e do doce amargo, da luz escuridão e da escuridão luz. (Is. 5.20) Isso me faz enxergar porque os mapuche que estão nas ruas de Angol, Santiago, Concepção, Valdívia e tantas outras cidades do Walmapu (Chilena) são tratados como terroristas e o Sebastião Piñera uma das maiores fortunas do país seja colocado na presidência. O mesmo princípio o bispo Marcelo Crivella quer aplicar no Brasil a lei antiterrorista para criminalizar os Movimentos Sociais. Se aprovada, os representantes indígenas que tomaram a Câmara dos Deputados no mês de abril poderiam ser enquadrados como terroristas e serem presos. Isso me faz perceber porque os Estados Unidos, a “Besta” da atual Babilônia dá uma ordem para França, Portugal e Espanha impedir que um presidente latinoamericano, Evo Morales seja impedido de circular nos referentes espaços aéreos com a suposição de está levando a bordo um jovem acusado de revelar o terrorismo do Estado em invadir a privacidade de milhões de pessoas no seu próprio país e no mundo. Com certeza se Jesus estivesse vivo e atuante fisicamente falando, seria tido como terrorista, vândalo ou baderneiro ao invadir o Templo (Casa da Moeda) e expulsado os capitalistas com extrema violência, ou seria preso por desacato à autoridade ao chamar Herodes de Raposa. Tem um ditado africano que diz: a história sempre foi contada pelos caçadores, chegou a hora de ela ser contada pelos leopardos. Que venham os novos “vândalos” corajosos derrubando os símbolos do deus mamon que é adorado no mundo inteiro, inclusive por muitos cristãos hoje. Disney, Shopping centers e Papai Noel não me deixam mentir.
“Ou defendemos a vida onde ela está sendo esmagada, ou devemos ter a coragem de não pronunciar o nome de Jesus Cristo”.
Paulo Roberto da Silva
domingo, 7 de julho de 2013
sexta-feira, 24 de maio de 2013
O Lírio do Prado ao amanhecer - Antonio Belo
Quando no prado
amanhece,
todas as flores
esmaecem
ao vento;
e só o lírio
permanece
atento...
Antonio Belo
13.12.2011
16:41h
sexta-feira, 17 de maio de 2013
Rio Moxotó - Antonio Belo
Tracei uma linha no Moxotó
Na esperança de vê-lo encher
Pra entrarmos juntos,
Eu e Você
como duas almas
em um corpo só...
O azul-violeta é fantasia
de um poeta visionário
sua água é barrenta e fria
e guarda segredos de carbonário.
Oh!, rio de água doce,
que vais ao mar?
Mostra tua "força"
no meu sertão
enchendo o povo de esperança
conduzindo o seu sonho à amplidão...
Antonio Belo
17.05.2013
sábado, 11 de maio de 2013
Retalhos da Vida - Joaquim Belo da Silva
·
Amanhã é o Dia das Mães. Para homenagear não só a minha mãe, já falecida, mas todas as mulheres guerreiras que optam em abrir mão de parte de sua vida para constituir outras vidas, publico esse crônica que escrevi para homenagear os seu aniversário de 94 anos de nascimento.
No dia 04 de Novembro, Dona Julieta, minha saudosa mãe, faria 92 anos. Eu escrevi esse relato para homenagear uma mulher de fibra que passou pela vida sem vivê-la plenamente, pois toda ela, foi-nos dedicada, aos filhos e por bem pouco, bem pouco mesmo, não se tornou uma das mães da Plaza de Mayo.
Quando eu li “A Mãe”, do escritor russo Máximo Gorki, senti que Pelágia, tinha muitos nomes e muitas nacionalidades, inclusive, poderia muito bem chamar-se Julieta. As transformações das pessoas se dão quando elas se conscientizam e descobrem que a fome e a miséria não são determinadas por Deus, mas pelas consequências de uma sociedade centralizadora, injusta, cruel e desumana.
Estávamos no período mais duro da ditadura militar. Os militares tinham iniciado a globalização da tortura e do desrespeito aos direitos humanos, abrindo mão das fronteiras e da soberania nacional, permitindo que qualquer agente de outro país entrasse em seus territórios em busca de terroristas, como assim eles tratavam aqueles que se manifestavam contra a opressão, e lutavam pela volta do estado de direito. Era a operação Condor. Vou omitir as datas, porque, com certeza, seria corrigido pelo meu irmão Antonio Belo.
Minha irmã, Maria Inês da Silva e o Namorado, Abiasaf Xavier de Brito, que haviam saído recentemente da prisão aqui no Brasil, aproveitaram os ventos da liberdade e fugiram para o Chile. Primeiro ele, ela depois.
No Chile, o governo Socialista de Salvador Allende lutava contra o boicote econômico patrocinado pelo governo americano, “arautos da democracia e respeitadores dos direitos humanos”, como sempre se apresentaram para o resto do mundo. O governo democrático de Salvador Allende caiu em 11 de Setembro de 1973 e instalou-se no país, talvez a mais cruel ditadura já vista em nosso continente, sob o comando do general fascista Augusto Pinochet.
Diante das circunstâncias, foram eles obrigados a fugir para a Argentina, país que ainda estava sob um regime democrático. Mas o vírus da ditadura se alastrava como erva daninha pela América do Sul. O governo daquele país também caiu, instalando-se mais uma sangrenta ditadura em nosso continente, ficando à frente do governo, o General Carlos Rafael Videla, que se celebrizou por se revelar o maior torturador da ditadura argentina.
Inês e Abi foram presos e torturados nos porões da ditadura argentina, em companhia de mais dois outros brasileiros. A mãe de um dos prisioneiros, residente no estado de Goiás, de volta da Argentina, após a visita e a libertação do filho preso, colocou uma nota no jornal “O Popular” de Goiás, sobre a situação de penúria em que Inês e Abi se encontravam, nos cárceres da ditadura do governo Rafael Videla”. Uma senhora de nome Aurora Baú, recortou e me enviou aquela nota publicada no Jornal. Como ela descobriu meu endereço, até hoje é um mistério...
Começamos a nos movimentar no sentido de libertar o casal; ou pelo menos tornar pública as prisões, evitando assim que mais dois corpos não identificados aparecessem boiando nas águas do Rio da Prata. Uma missão que não era fácil dentro do contexto político não só da Argentina, mas de todos os países Latino-americanos.
Por mais que tentássemos esconder o fato de Dona Julieta, a nossa mãe, era uma missão praticamente impossível, pois ela era muito perspicaz, capaz de antever coisas incríveis em relação aos filhos. Certa vez viajei de Anápolis, estado de Goiás, para o Recife, sem avisar a ninguém, pois se eu avisasse ela iria fazer despesas extras e desequilibrar o orçamento doméstico. Mas, inexplicavelmente, quando eu cheguei, ela tinha feito uma peixada de Cioba e doce de ovos que era a minha paixão. Sorriu e disse: eu não falei que Joaquim iria chegar?...
À mediada que o tempo ia passando, ficava cada vez mais difícil manter a história em segredo. Quando ela finalmente tomou conhecimento dos fatos, com firmeza e determinação começou a movimentar-se, e teve uma reação oposta à que todos imaginavam. Sua primeira providência foi fazer uma carta para o Sr. Carlos Rodriguez, do Alto Comissariado das Nações Unidas, carta essa que foi lida e colocada nos anais da Assembleia Legislativa do estado de Pernambuco, pelo jovem Roberto Freire, na época um aguerrido deputado que, junto com Maurílio Ferreira Lima, era uma das poucas vozes que tinha coragem de se manifestar contra o regime militar.
Dona Julieta fez uma reunião com os filhos e disse: estou indo para Buenos Aires tirar minha filha da prisão. A surpresa foi geral. Tentamos demovê-la da ideia com todas as ponderações possíveis: que ela não sabia falar espanhol e que Buenos Aires era na época uma cidade maior do que São Paulo e tantos outros inúteis argumentos. Os amigos e conhecidos começaram a se manifestar e conseguiram passagens, dinheiro, roupas, e outras providências mais.
Na véspera de sua viagem, chegou uma carta das Nações Unidas comunicando que os dois haviam sido libertados e aceitos pelo governo da Bélgica como exilados políticos. Onde permanecem até os dias atuais.
Dona Julieta vive hoje em outra dimensão, a dimensão dos nossos pensamentos. Vive em nossa memória, nas canções que gostava de cantar. Vejo-a como se fosse um filme, sentada em sua inseparável máquina Singer, costurando os retalhos da vida ou em frente do velho fogão à lenha cozinhando as ilusões que matavam nossa fome.
Entre todas as lembranças, talvez a mais comovente seja a sua luta obsessiva para nos manter vivos e saudáveis, época em que havia um elevadíssimo índice de mortalidade infantil e tinha para isso um arsenal terrível tanto para os inimigos externos que queriam se apropriar indevidamente do pão nosso de cada dia - os vermes - quanto para nós, as vítimas: Sementes de mamão, Biotônico Fontoura, Emulsão Scott, que era um extrato de óleo de fígado de Bacalhau - acredito que seja muito bom para memória, pois nunca mais consegui esquecer aquele gosto horrível.
Lembro-me que ela apanhava limalhas de ferro na oficina de um ferreiro que tinha perto da nossa casa, em Betânia, colocava dentro de uma vasilha com água e depois de sete dias nos dava para ingerir àquela água ferruginosa, que era para repor o ferro subtraído pelo inimigo. Pela saúde, energia e disposição que têm todos os seus filhos, acredito que tenham sido eficazes, as suas fórmulas artesanais. Uma coisa é certa: foi eficaz o exemplo de amor e determinação de uma mulher e mãe extraordinária.
Belém, 02 de Novembro de 2012.
quarta-feira, 8 de maio de 2013

O Museu da Abolição (MAB/Ibram), em Recife (PE), apresenta a exposição internacional As Águas da Memória, a Rota do Ex-Cravizado, da artista plástica Inêz Oludé. O projeto comemora o Dia Internacional da Memória do Tráfico Negreiro e sua Abolição e se integra a 11ª Semana de Museus.
O tema da exposição será desenvolvido por meio de oficinas, exposição de artes visuais e performances. Baseado em documentos da época realizados pelos povos escravagistas, o trabalho mistura colagens e pinturas e concebe uma viagem iniciática ao centro da memória dos povos oprimidos. A abertura acontece no dia 11 de maio, às 17h. A exposição fica em cartaz de 13 de maio a 31 de julho, das 9h às 17h, e tem entrada franca.
Projeto comemora Dia Internacional da Memória do Tráfico Negreiro e sua Abolição
Artista e curadora pernambucana, Inêz Oludé da Silva é membro do Conselho Nacional de Artes Plásticas da Unesco e do Internacional Iuoma Group. Artista multimídia, vive em Bruxelas desde 1976, onde chegou como exilada política.
Participou de exposições coletivas e individuais em museus, bienais e galerias da Europa, África e Américas. Atualmente, realiza curadorias de mostras de artistas de diversos continentes e desde 2004 dirige o Projeto 23 de agosto – Dia Internacional da Memória do Trafico Negreiro e sua Abolição.
O Museu da Abolição localiza-se à Rua Benfica, 1150 – Madalena. Outras informações estão disponíves na página do MAB.
Texto e foto: Divulgação MAB
quarta-feira, 1 de maio de 2013
Subvertendo-me - Paulo Roberto da Silva
O poeta e um dos garotos do acampamento Lamarca
Hoje acordei com vontade de deixar de ser,
De deixar de ter e deixar de lado,
Hoje preferi me ignorar,
Descomplicar e me insubordinar.
Hoje pensei em voltar o rosto,
Sentir o ar solto e me lançar no mar,
Hoje bebi o sol, comi a lua e vomitei estrelas,
Hoje perdi o rumo, segui sem prumo.
Hoje estupefato, comi no prato a doçura do mel,
Hoje virei zangão, piquei o patrão e me mandei.
Hoje pedi carona, fui chupar cana na beira da estrada,
Hoje comi goiaba, senti o cheiro da estrada.
E me mandei para Pindamonhangaba.
segunda-feira, 29 de abril de 2013
Nave/Moinho/E tudo mais serei/Para que seja leve/Meu passo/Em vosso caminho". Este é, dentre os poemas de Hilda Hilst o que mais gosto. Talvez porque houvesse o desejo de ser um dia nave ave ou moinho, para o homem de minha vida. Não fui, não sou. Quem sabe, para dar à minha presença a leveza que sempre desejei ter. Só consegui ser as hélices do moinho. Um turbilhão... quase o enlouqueci. Reconheço, e confesso esse pecado.
Li, em 1970, os poemas de Hilda Hilst, a poeta que se viva fosse teria completado 83 anos no dia 21 deste mês.
Em 1970 eu fazia um curso de Artes Industriais em Santo Amaro, e um dos meus colegas, Marcos, vivia me comparando a ela porque eu não permitia matar nenhum inseto. Ele me dizia: você parece a Hilda, a casa dela é cheia de teias de aranhas porque ela não permite que se mate nada. Que Hilda? quem era? eu não conhecia nenhuma Hilda. E ele me falou sobre ela, como vivia em uma casa em Campinas, e a cada palavra dele, mais eu me interessava. Ele me trouxe livros dela, me emprestou, leu alguns para eu ouvir, e prometeu me levar um dia, mas jamais cumpriu a promessa.
Depois, em 1973, eu fazia um curso de cinema na FGV, e lá havia outro rapaz também apaixonado pela obra dela, e, quem sabe, também por ela.
Alguns dias depois convidou toda a turma do curso, umas vinte pessoas, para ver a peça "O Verdugo", considerado seu melhor texto para teatro. Para sempre fui arrebatada pela força daquele texto, em plena ditadura, e pela beleza daqueles versos que apesar de delicados na aparência, eram tão viscerais.
Muitos anos se passaram, e no início de 2000 vi o anúncio de uma exposição no Sesc Pompeia: "Os 70 anos de Hilda Hilst".
Livros e objetos da artista estavam expostos, ali era possível percorrer o roteiro de uma vida, e naquela noite, ela estava lá, já bem doente, mal conseguia se manter de pé. Era ajudada por alguém que não vi, tão encantada estava por vê-la assim de perto.
Hilda Hilst foi uma das mulheres mais lindas de sua época, e mesmo doente, mesmo com 70 anos e todo o estrago que a bebida causara, ainda era uma bela mulher.
Minha admiração por ela era (e é) tão grande, que não tive coragem de lhe dirigir a palavra, e os livros que eu levara para pedir que autografasse, permaneceram em minha mãos.
Sempre achei que ela fora uma grande injustiçada da nossa literatura. E é difícil entender
isso, porque a juventude daquela época adorava seus poemas, suas peças de teatro, no entanto ela nunca chegou a ser muito conhecida...
Agora, meu amigo João do Reis, me mandou um artigo de Raquel Cozer, sobre a Poeta. Pois é... parece ser sina dos grandes poetas a de só ter sua obra reconhecida após a morte. Agora a editora Globo estará reeditando 21 títulos da autora, além de suas entrevistas organizadas por Cristiano Diniz "Fico Besta quando me entendem" .
Dois filmes também estão sendo produzidos: um documentário e uma ficção. Enfim, as novas gerações irão conhecer uma grande poeta da língua portuguesa, e que já tem sua obra publicada nos EUA e na França.
E para os que não conhecem seus poemas aí estão dois dos meus poemas preferidos. quem sabe as novas gerações se interessam e passem a conhecer esta grande poetam que além de ter uma obra importantíssima, teve uma vida não menos interessante.
Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo. Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a água
desejasse.
Escapar de sua casa que é o rio
E deslizando apenas, nem tocar a margem.
Te olhei. E há um tempo.
Entendo que sou terra. Há tanto tempo
Espero
Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta
Olha-me de novo. Com menos altivez.
E mais atento.
**
Amavisse. Via espessa. Via vazia.
São Paulo: Massao Ohno Editor, 1989. s.p.
I
Carrega-me contigo. Pássaro-Poesia
Quando cruzares o Amanhã, a luz, o impossível
Porque de barro e palha tem sido esta viagem
Que faço a sós comigo. Isenta de traçado
Ou de complicada geografia, sem nenhuma bagagem
Hei de levar apenas a vertigem e a fé:
Para teu corpo de luz, dois fardos breves.
Deixarei palavras e cantigas. E movediças
Embaçadas vias de Ilusão.
Não cantei cotidianos. Só te cantei a ti
Pássaro-Poesia
E a paisagem-limite: o fosso, o extremo
A convulsão do Homem.
Carrega-me contigo.
No Amanhã
**
Quem desnudou a alma de forma tão verdadeira será sempre pouco ter sua obra reeditada. É preciso mais. Para resgatar a memória desta mulher que vivia com simplicidade, é preciso conhecer a Casa do Sol onde viveu, hoje chamada de residência artística. Uma casa planejada por ela em cada detalhe, para que servisse de inspiração para suas criações literárias. Um espaço sagrado como ela o considerava.
Fotos dos amigos ocupam uma das paredes, e os inúmeros objetos de arte que com certeza tinham para ela um significado afetivo.
Atualmente a casa recebe hóspedes, que lá se hospedam para pesquisar não apenas obras da escritora, mas sim de qualquer outro autor.
Muitas árvores e sessenta cães (hoje são aproximadamente dez) faziam parte da vida, do universo da poeta. São cães que ladram à entrada dos visitantes, e uivam à noite. Quem sabe tanto quanto seus leitores, também eles sintam saudade daquela que a eles dedicou tanto amor.
http://youtu.be/iI5djI5va7I
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