quinta-feira, 3 de agosto de 2017

30 anos depois: um reencontro em Osasco com os queridos ex-alunos da EEPSG "Vicente Peixoto"- Texto de João dos Reis


Trinta anos depois: um reencontro em Osasco com os queridos ex-alunos da Escola Estadual "Vicente Peixoto"
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Joao dos Reis Ago 2 em 11:44 AM
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Trinta anos depois: um reencontro em Osasco com os queridos ex-alunos da Escola Estadual “Vicente Peixoto”

Em 29 de agosto de 2017 estávamos reunidos no salão de festas do conjunto de edifícios na rua João Guimarães Rosa, no Jardim Veloso em Osasco para um almoço. Eu e Airton Cerqueira Leite, professor de Geografia, fomos recebidos com carinho pelos ex-alunos presentes: os Gimenes - Rogério e Fernando, a mãe deles , e os dois filhos de Fernando -, e também Sidnei, Jair, Wellington, Hildebrando, Joana, e as irmãs Meneghin - Marcia e Rose.

Foi um reencontro trinta anos depois; nessas três décadas, nunca havíamos nos encontrado nos descaminhos da cidade grande. Sidnei Antonio Bortolo, que foi o primeiro presidente do Grêmio livre estudantil da Escola Estadual “Vicente Peixoto”, e o grupo de ex-alunos, foram os idealizadores da confraternização.

Depois de tantos anos, tive dificuldade em reconhecê-los; mas ao me mostrarem as fotos daquele tempo, houve uma volta instantânea e emocionante ao passado: eram os jovens em que investimos nossas esperanças de educadores por um mundo mais justo e com liberdade.

Foi uma enxurrada de recordações e não uma surpresa para mim: os alunos-adolescentes se tornaram adultos. Foi aos poucos que fui retomando as imagens e alguns dos nossos diálogos daquele tempo. Estávamos sonhando com uma nova sociedade no Brasil – e acreditávamos na volta da democracia. Com o fim do “centro cívico” – a representação estudantil do período da ditadura militar -, fui indicado pela direção da escola para orientar o retorno do grêmio livre dos estudantes. Realizamos eleição dos representantes de classe; e a minha proposta foi aceita: que eles participassem das reuniões bimestrais do Conselho de Classe junto com os professores e a diretoria da escola.
e a diretoria da escola.

Que sonhos tínhamos nos anos 80? O surgimento dos partidos políticos, especialmente o Partido dos Trabalhadores, dos sindicatos livres, da Central Única dos Trabalhadores, dos grêmios, da UEE e UNE , tornavam possível acreditar no debate democrático do futuro do Brasil. Wellington, que é metalúrgico, relembrou alguns dos temas e livros debatidos nas aulas de Filosofia – e que, como ele mesmo disse – continuavam nas sextas-feiras à noite no bar “Hortelã” na Praça Duque de Caxias; ele citou “As veias abertas da América Latina”, de Eduardo Galeano, que sugeri como leitura. Para Sidnei, o meu carro, uma Variant, era uma Van escolar, pois eu retornava para casa, depois das aulas, sempre com a carona que dava a eles – e que foi mais um momento de companheirismo e convívio fraternal.

Os professores ausentes foram lembrados, entre eles, Jaime Pontin, Sandra Ceschini Sussmann, Frederico Guaré Cruz (Fred), Maria Clarice da Silva, Linda Kawakita. Recordamos também Toni (Antonio Fioravante Frizza de Barros Fresca) e Norli de Jesus Sanches Vieira, inspetores dos alunos: a escola é o lugar do conflito, como eu sempre dizia, e eles sempre souberam enfrentar os problemas com competência e sensibilidade.

Fiquei feliz e comovido com a recepção afetuosa e por ouvir: fomos importantes como professores quando eles eram jovens estudantes. E me lembrei de que, quando voltei da minha temporada no Sul, em Curitiba, reencontrei Fabio, também ex-aluno do “Vicente Peixoto”, na sala de espera do cinema Reserva Cultural: ele me reconheceu, apresentou a esposa, conversamos rapidamente, e não me esqueço do que ele me disse quando nos despedimos: “obrigado por tudo”.

Não foi possível conversar com cada um deles como gostaria; mas perguntei a eles em que trabalhavam hoje - e faltou saber de cada um deles como viam a realidade brasileira, hoje. Com alguns deles, disse do nosso desencanto com o presente e a dificuldade de acreditar nos destinos do país.

Sou cozinheiro ; por isso me interessei em conversar um pouco com Rogério, o chef de cozinha do encontro. Ele preparou uma galinhada, e me disse que planejavam uma paella, o que não foi possível. Falei para ele que o prato do dia era o meu preferido na merenda da tarde do colégio; e que Darci Coutinho, diretora da escola, escolheu -o em um ano para um almoço de comemoração do dia do professor. O prato da culinária brasileira, que usou dessa vez, entre outros temperos, o açafrão, ficará para sempre registrado na memória afetiva.

Tive o prazer de conhecer nesse dia Paula, a companheira de Sidnei, e conversamos sobre tudo: o mundo do trabalho na grande empresa Bradesco, onde ela trabalha, receitas de pratos típicos das regiões brasileiras e dos imigrantes que vieram para o Brasil.

Em uma tarde de inverno de 2017, na cidade proletária de Osasco, um grupo de ex-alunos lembrou dos seus ex-professores. E foi uma honra para nós – eu e Airton – recuperar as imagens e as lembranças de um passado distante, que descobrimos, não está condenado ao silêncio e ao esquecimento.


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