quarta-feira, 26 de abril de 2017

Sobre a felicidade - João dos Reis



Martha e Mauro, da Confraria dos Viajantes, de Curitiba, me pediram para escrever sobre a felicidade para o blog Confraria dos Viajantes. Eu disse a eles que parei de escrever; é difícil falar sobre um tema tão popular e um sonho impossível.

O que é a felicidade? Buscamos encontrá-la sempre, mas muitas vezes é uma busca em vão. Ela está nos pequenos gestos, olhares, nas ações cotidianas, nas escolhas que fazemos: uma profissão, uma casa e um lugar para habitar. Não temos muitas opções ao longo da vida, mas precisamos arriscar e ludibriar o destino. Nessa luta diária e inglória, será que conseguimos alcançá-la?

Penso na alegria da avó Elisa em cuidar do seu pedacinho de terra em Duartina, SP, onde ela plantava couve, almeirão, tomate, e tinha pés de roseira, cravos, palmas de Santa Rita, uma parreira. Depois do café da manhã, ela se dirigia para o quintal para irrigar as plantas, cavoucar a terra, colher as verduras para o almoço. Quando criança, via como um espaço enorme; depois, o achava tão pequeno, mas que trazia momentos felizes para ela todos os dias. Logo que eu chegava de viagem para visitá-la, era com orgulho que me convidava para visitar o jardim-horta - e eu colaborava no final das tardes com a irrigação.

Lembro de como Arthur, um piá curitibano de 4 anos, ficava feliz com as histórias que contava para ele. Não sabia, no entanto, que esses instantes transitórios permaneceriam como lembranças de que é, sim, possível, encontrar a felicidade quando menos sonhamos.

Recordar minha experiência como professor de Filosofia é retomar as gentilezas de alguns queridos alunos: um convite para almoço, um bolo de presente de aniversário, uma garrafa de vinho.

E como esquecer os encontros com os amigos para compartilhar uma refeição, em que fui um convidado especial? Foram registros inesquecíveis de convívio e companheirismo entre camaradas.

Recordar as viagens que realizei por cidades desconhecidas: foram uma esperança de aventura, de personagens inesperados: a construção de uma amizade, a descoberta de um afeto que deixou marcas para sempre.

Temos que reconhecer: não devemos ser prisioneiros da recordação de momentos felizes, pois podemos encontrar a felicidade no presente, embora não consigamos perceber.





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