quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Uma cidade: Buenos Aires – Um poeta: Atilio Jorge Castelpoggi (1919-2001) - João dos Reis




Atilio Jorge Castelpoggi nasceu em Buenos Aires. Escritor, ensaísta, poeta, compôs tangos e milongas. “Em “Apenas um cuidador de palavras”, de 1995, diz: “No fundo não sou mais que um jogador que aposta no mistério”. Foi o poeta que cantou a sua cidade: “Faço poesia urbana, quer dizer, poesia portenha; se entendem que, todavia, é metafísica, é porque, naturalmente, na paisagem está o homem”.

POEMA: “Destino” (com a tradução em seguida)

Yo estaré a tu lado siempre en las mañanas al salir el
sol
estaré en los atardeceres en que el verde de los parques
se hace amparo de la noche,
en que la noche se hace lugar de cita para el destino
de los enamorados.
Estaré en médio de la ciudad que imprime gritos
y bocinas,
en médio de la ciudad callada al borde de un lecho en
despedida,
entre la gente que indiferente pasa como una multitud
desconocida,
en los recuerdos, cuando los pensamientos son grandes
rios corriendo hacia el pasado,
en médio de una lagrima posada entre tu nombre,
en el conocimimeinto de tu cuerpo que tiene un lenguaje
suspendido a la altura donde nace la vida,
entre la risa azul de las cascadas de unos dientes que
muerden el amor,
en la desesperada tristeza de unos llantos reprimidos,
en la olas salvajes que desatan las injusticias de la
tierra,
y el contorno de una mañana mejor que avanza
lentamente.
En él estaré yo,
no olvides de esperarme apretando tus grandes
corazones como una frente de amor interminable.

POEMA: “Destino” (tradução de Bella Jozef)

Estarei sempre a teu lado nas manhãs quando sai o
sol,
Estarei nos entardeceres em que o verde dos parques
faz-se abrigo da noite,
onde a noite se torna lugar de encontro para o destino
dos enamorados.
Estarei no meio da cidade que imprime gritos e
buzinas,
no meio da cidade calada à beira de um leito em
despedida,
entre as pessoas que indiferentes passam qual multidão
desconhecida,
nas lembranças, quando os pensamentos são rios grandes
correndo em direção ao passado,
no centro de uma lágrima pousada em teu nome,
no crescimento de teu corpo que tem uma linguagem
suspensa na altura onde nasce a vida,
entre o riso azul das cascatas de alguns dentes que
mordem o amor,
na desesperada tristeza de prantos reprimidos,
nas ondas selvagens que desatam as injustiças da
terra,
e no contorno de um amanhã melhor que avança
lentamente.
Nele estarei eu,
não te esqueças de esperar-me apertando teus grandes
corações como uma frente de amor interminável.

NOTA

1. A primeira citação de Castelpoggi, "No fundo..." está no site www.epdlp.com; e a segunda,
“Faço poesia urbana...” está em “La Nación”, 02/05/2001;

2. Poema “Destino”, em “Poesia argentina – 1940-1960”, edição bilíngue, seleção, prefácio e tradução de Bella Jozef, Editora Iluminuras, São Paulo, 1990, pp.74 e 75

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