quarta-feira, 15 de junho de 2016

À procura do poeta espanhol Antonio Machado (1895-1939) - João dos Reis




Para Sanjo Rodriguez, de Barcelona, Espanha

“Ya hay um español que quiere
vivir y a vivir empieza,
entre una España que muere
y outra España que bosteza.
Españolito que vienes
al mundo, te guarde Dios.
Una de las dos Españas
ha de helarte el corazón”.
(Provérbios e Cantares, p. 170-1)

Laura Amélia Alves Vivona, professora de Francês e Espanhol no curso Clássico em 1966 no Ceneart (Colégio Estadual Antonio Raposo Tavares) em Osasco, leu um poema de Antonio Machado. Durante muito tempo, eu e meus amigos de sala de aula, comentamos a interpretação apaixonada do texto poético.

“Erase de un marinero
que hizo un jardin al mar,
y se metió a jardinero.
Estaba el jardin en flor,
y el jardinero se fue
por eses mares de Dios”.
(Parábolas, p. 172)

Estava em 1978 em Buenos Aires - e Eduardo, o companheiro argentino do Serpaj (Servicio Paz y Justicia) e meu guia nas andanças pela cidade, me acompanhou a uma livraria e a uma loja de discos. Comprei uma antologia de Antonio Machado, “Poesias” (Editorial Losada S.A., Buenos Aires, 1974, 272 pp). Conhecia o poeta por Joan Manuel Serrat – e encontrei um disco de 1970 com 12 poemas musicados pelo compositor e cantor catalão – “dedicado a Antonio Machado, poeta”.

“Nunca persegui la gloria
ni dejar en la memória
de los hombres mi canción;
yo amo los mundos sutiles,
ingrávidos y gentiles
como pompas de jabón.
Me gusta verlos pintarse
de sol y grana, volar
bajo el cielo azul, temblar
súbitamente y quebrarse”.
(Proverbios y cantares, pp. 159/160)

Antonio Machado (Antonio Cipriano José Maria y Francisco de Santa Ana Machado Ruiz) nasceu em Sevilha em 1895. Ainda jovem, a família foi para Madri. Poeta e dramaturgo, fez parte da chamada Geração 98. Foi um modernista – com uma poesia intimista. Foi professor de francês e viveu em várias cidades da Espanha; em Segovia, colaborou com a Universidade Popular. Na guerra civil espanhola esteve ao lado dos republicanos; no final do conflito, foi para o exílio na França, e morreu em 1939. Seus livros nunca foram publicados no Brasil. Obra poética: “Soledades. Galerias. Otros poemas”, “Campos de Castilla”, “Nuevas canciones”.

“Caminante, son tus huellas
el camino, y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante, no hay camino,
sino estelas en la mar”.
“Todo pasa y tudo queda,
pero lo nuestro es pasar,
pasar haciendo caminos,
caminos sobre la mar”.
(Proverbios y cantares, pp. 165 e 168)

Joan Manuel Serrat (Barcelona, 1943): compositor, poeta e músico espanhol. Foi um dos fundadores do movimento Nova Canção. O disco dedicado a Antonio Machado, de 1970, e a canção “Caminante”, foi o início de uma carreira musical de sucesso. Teve suas músicas proibidas pela censura. Foi para o exílio no período final da ditadura franquista. Na volta a Espanha, teve o reconhecimento de sua arte. Alguns dos discos: “Em trânsito” (1981), “El Sur también existe” (1985), “Bienaventurados” (1987), “Sombras de la China” (1998).

“A mi trabajo acudo, con mi dinero pago
el traje que me cubre y la mansión que habito,
el pan que me alimenta y el lecho en donde yago.
Y cuando llegue el dia del último viaje,
y esté al partir la nave que nunca há de tornar,
me encontraréis a bordo, ligero de equipaje,
casi desnudo, como los hijos de la mar”.
(últimos versos de “Retrato”, p.87)

Décadas depois, não tenho mais o LP (long play); gravei as músicas em um CD. O livro está com as páginas amareladas pelo tempo, se decompondo – como a memória do passado.

NOTA

1. Todos os poemas de Antonio Machado transcritos acima foram musicados por Joan Manuel Serrat, com exceção de “Retrato” (por A.Cortez) – e estão no disco dedicado ao poeta.
2. Indico alguns livros:
1. “Antologia poética”, Antonio Machado, introd. e seleção de María Paredes, Club Internacional del Libro, Madri, 1994;
2. “Poesias completas”, Antonio Machado, prólogo de Manuel Alvar, Selecciones Astral, Madri, 1988, 13ª edição;
3. “Antologia da poesia espanhola contemporânea”, seleção e introd. de José Bento, Assírio & Alvim, Lisboa, 1985.
4. No site http://www.alejandriadigital.com/ há uma antologia e a obra completa de Antonio Machado em pdf – download gratuito:
Poesía Completa de Antonio Machado en pdf (Obra de dominio público – Descarga gratuita) – Actualizado al 26/12/2015 | Total Visits 1055 | ALEJANDRIA DIGITAL (Blog Enciclopédico - Biblioteca Universal - Casa Editorial)

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