domingo, 1 de novembro de 2015

Ubatuba e a Desmemória - Pedro Paulo Teixeira Pinto




Num país onde pouco se dá de importância à sua memoria histórica, para ser breve, Ubatuba não poderia ser diferente.Basta observar nossas preciosas construções de estilo colonial que foram caindo ou simplesmente demolidas, destruindo-se símbolos de nossa mais legítima identidade. Patrimônio Histórico? Cultural? Imaterial? Pois é, José, e agora?

Evidentemente há muito o que se dizer sobre o assunto, o que não cabe numa simples crônica. Mas aqui, a ideia é chamar atenção sobre uma de nossas maiores fraquezas nacionais. Quando não sabemos de onde viemos, não saberemos para onde ir, conscientemente.

Cabe trazer à luz a frase do ex-ministro da Educação, hoje Senador da República, Cristovam Buarque, afastado do ministério. por telefone, pelo penúltimo presidente do Brasil: "Se quisermos saber que futuro tem um país, verifique a Educação que ele tem hoje".

A ideia de alinhavar "acontecências" , que passaram e passam pelo tempo é que nos anima a seguir, de vez em quando, desenrolando palavras para contar e recontar coisas de nossa alma caiçara e de nossos feitos que vão traduzindo a realidade edificada pelo seu povo. Incessantemente.

Apenas porto marítimo no início de sua história, Yba-tiba, hoje Ubatuba, a terra tupinambá foi se modificando até que os índios, seus donos genuínos, dela fossem desalojados por governos e aventureiros, em seus diferentes estágios civilizatórios.

Outros portos foram se abrindo, por terra e ar, ao sul, norte, oeste e leste, acomodando culturas que se sobrepuseram às primitivas e semi-primitivas, mas misturando-as, a medida que se sucederam. Cada uma delas deixou, dentro das outras, marcas indeléveis a constituir a diversidade cultural que, espraiando-se, vai traduzindo painel de grande valor e beleza, onde a canoa caiçara é um de seus ícones identitários mais fortes.

E assim deveremos ir, cuidando com discernimento, consciência e firmeza, de nosso desenvolvimento verdadeiramente efetivo, de mãos dadas com nossa identidade mais legítima, onde se assentam nossas principais marcas de humanidade.

"Povo que não tem memória, não tem nada pra contar"; que se diga e repita esta frase essencial de Idalina Graça, nossa primeira escritora.

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